domingo, 31 de agosto de 2014

Tira-Teima Literário

Esse popular sistema que flagra as ações duvidosas de jogadores de futebol e também dos cavalos na corrida também se aplica na literatura. Isso porque quando escrevemos, nem sempre vamos acompanhar o andamento da história somente pela ótica do narrador. Existem diversos personagens que estão em ação contínua paralela com o protagonista. Neste caso, o autor deve ter atenção para não deixar um determinado personagem no vácuo. Existem situações em que um personagem simplesmente "dorme no ponto" e depois no momento decisivo ele aparece do nada. Isso é incoerência literária.
Quando for tirar o personagem de cena, o autor deve deixar subentendido o que ocorreu fora de cena, seja como for. Os personagens inseridos devem estar em harmonia como se fossem uma engrenagem. Isso deixa a história tão interessante e sustentável quanto um enredo paralelo.
Como treino, antes de escrever, desenvolva os enredos paralelos separadamente. Depois, organize os argumentos, frisando em alguns personagens. E nunca deixe de revisar.


domingo, 24 de agosto de 2014

Contratos Internacionais

Todos sabemos que o mercado editorial vem crescendo progressivamente, com altos índices de vendas no país. Porém sabemos que isso em nada vem afetando positivamente para o lado dos escritores. O que vem crescendo junto com as vendas são o número de publicações e também de editoras. Somos um país que possui mais editoras do que livrarias.
Nesse ritmo, as editoras por demanda surgiram aos montes. São centenas delas que estão pela internet com o anúncio em letras garrafais "Publique o seu livro". É uma ótima oportunidade para quem é leigo no assunto, mas o cliente tem que tomar cuidado para não ter prejuízo em seu investimento literário.
Indo nesse embalo mercadológico, agora tenho notado editoras "estrangeiras" por demanda oferecendo serviços editoriais e demonstrando pseudo-interesse nas obras dos clientes. Isso eu já venho notado há alguns anos, e está preocupando tanto quanto a pertinência em escrever sobre o assunto.
O registro do livro só é válido no país em que é feito. Você precisa registrar o livro lá fora também para que tenha os direitos reservados. Se fosse assim, a Disney, o Mauricio de Sousa, a Marvel e outras produtoras não teriam esse engajamento através de seus escritórios multinacionais.  
Entregar livro para editora estrangeira é o mesmo que entregar a chave do banco para o Al Capone.
É ingenuidade acreditar que um país estrangeiro irá se interessar por um livro
desconhecido. Lembre-se que o "Aventuras de Pi" é um plágio descarado de um livro nacional.

Continuem espertos e não queiram dar um passo maior que a perna na trilha editorial. Tenham paciência que no momento certo, a oportunidade vai chegar.

domingo, 17 de agosto de 2014

Diferença de Contratos


Eu odeio postar indireta, mas essa carapuça vai vestir muito bem naqueles  autores iniciantes que divulgam que fechou um "contrato editorial", com um emotion sorridente, só aguardando a enxurrada virtual de parabéns de colegas e blogueiros adicionados nas redes sociais. Daí você também se prepara para congratulá-lo, mas descobre que o que ele disse foi incoerente, mas também você não quer "jogar um balde de água fria". Talvez o autor novato não entenda a diferença por ser leigo.
Outra ocasião, em um encontro literário, conheci pessoalmente uma colega virtual, também autora. Conversamos sobre nossos livros publicados e atividades literárias, mas ela girava no assunto de que havia um "contrato editorial" com a tal editora, mas que ela havia pago revisão, ilustração, diagramação, registros, lotes, além de cuidar pessoalmente da divulgação. Perguntei se era uma editora por demanda e ela até ficou contrariada, como que se aquilo fosse algo pejorativo.

Isso tem me preocupado porque parece uma mistura de ingenuidade com arrogância e pseudo-estrelismo. Independente de nossas vendas, todos nós, autores iniciantes, estamos no mesmo barco e também não custa nada um pouco mais de aprendizado e humildade.
Se você não quer mais cometer gafes literárias, nem se iludir ou ser iludido; nem passar por desinformado aprenda que ninguém fecha "contrato editorial" com EDITORA POR DEMANDA, e sim "contrato de prestação de serviços". Há diferenças gritantes entre os dois contratos, assim como entre as editoras.

Contrato editorial: A editora investe em sua obra, com revisão, diagramação, arte da capa, registros de ISBN, Ficha Catalográfica e Código de barras; distribuição em livrarias, bancas e/ou lojas; publicidade, assessoria comercial, literária e jornalística; venda e repasse dos royalties.

Contrato de prestação de serviços: O autor que investe em todos os serviços gráficos, inclusive o lote. Não existe departamento de marketing ou vendas. O livro fica em exposição no site. A despesa dos serviços, lotes e a responsabilidade de vendas é totalmente do autor/cliente.

Editora por demanda somente nos oferece serviços gráficos. Se ela demonstrar que está oferecendo serviço editorial sem custo, porém cobrando sutilmente ("é grátis, mas você tem que comprar quinhentos livros"); ela então está te iludindo. Mas se você fecha contrato de prestação de serviços achando que editora é tudo igual, então você que se iludiu.
Ninguém é menos escritor pelo fato de investir em sua obra. Se você acredita em seu potencial, vá a luta, encomende o seu lote e desbrave o maravilhoso mundo literário.
As editoras maiores enxergam números de vendas e por esse motivo, querem ver a sua luta.